História: Antes do ambiente imersivo do VR, os gamers já navegavam rompendo fronteiras digitais

Por Kao Tokio, editor de conteúdo do Drops de Jogos e colaborador da Mundo360

A característica talvez mais impressionante e inovadora da tecnologia de realidade virtual é a sensação de imersão e presença do jogador diretamente no ambiente do jogo. O fato de poder observar o cenário e elementos do jogo para qualquer lado que se olhe faz com que esqueçamos que aquele é um mundo digital modelado e intangível.

Muito antes da criação da realidade virtual, no entanto, os gamers já vivenciavam sensações que lhes faziam sentir-se envolvidos por outro universo. Os primeiros games para arcades de fliperama já induziam à sensação de rompimento de fronteiras entre o presencial e o virtual, explicou, em 2003, o escritor Martti Lathi em seu artigo “As We Become Machines: Corporalized Pleasures in Video Games”.

Professor de cultura das mídias, o pesquisador finlandês afirmava que “Asteroids e Pacman popularizaram as telas wraparound (contornar), onde o personagem ou veículo podia deixar a tela de um lado e reaparecer do outro” (LATHI, 2003, p. 159). Para o autor, este processo está entre as primeiras experiências vividas pelo usuário dentro do ambiente imersivo digital e trata-se de “um gesto estrutural na direção de um mundo de jogo contínuo e sem limites”.

Mais à frente, o no mesmo texto, autor enfatizaria a relevância desta nova conquista tecnológica: “A tela começou a se tornar mais proximamente identificada com o ponto de vista do jogador, mais do que a totalidade do universo jogável do game”, destacou.

Por meio de tais experiências, os interatores dos primeiros ambientes digitais virtuais passariam a entender aquele como um novo ambiente para vivenciar outras realidades. As descobertas posteriores, por sua vez, trouxeram para o convívio social a tecnologia do VR, que nos insere em novos mundos e narrativas ficcionais.

Como informa o site de cultura coletiva Wikipedia, a técnica do wraparound foi bastante utilizada em games durante as décadas de 1970 e início de 1980, incluindo jogos como Space Race (1973), Combat (1977), o já citado Asteroids (1979) e Star Castle (1980).

Sem games como estes, a história da realidade virtual poderia ser bem diferente hoje.

Referência:
TOCCHIO, Luis C. O. (2007) Video Game Design: Uma Análise da Estética Conceitual do Entretenimento Digital . Link:
http://docplayer.com.br/681121-Centro-universitario-senac-luis-claudio-de-oliveira-tocchio-video-game-design-uma-analise-da-estetica-conceitual-do-entretenimento-digital.html

Um comentário sobre “História: Antes do ambiente imersivo do VR, os gamers já navegavam rompendo fronteiras digitais

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s